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31/05/2010Memorando III Seminário Macas de Qualidade
Na continuação dos memorandos relacionados ao Seminário Internacional sobre Marcas e Qualidade, promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ocorrido na cidade de São Paulo/SP, entre os dias 19 a 21 de maio do corrente ano, neste documento informamos alguns dados apresentados no Painel “A Experiência Européia – França e Espanha”, através dos Senhores Alain Berger e José Maria Gómez Nieves, respectivamente.
Os palestrantes foram enfáticos na questão em respeitar a biodiversidade do local, predominando o produto e suas culturas na forma de agregação de valores nos vários aspectos sócio-econômicos.
Em suas afirmações fica claramente exposto quem decide no final pelo desenvolvimento de um produto agrícola é o consumidor.
Tanto na Espanha quanto na França, os pequenos produtores estão realizando cada vez mais, acordos com os grandes grupos, buscando a valorização de suas marcas regionais e conquistando agregação de valores e imagem de seus produtos expostos.
Faço aqui, um comentário pessoal: será que não estamos no caminho certo, quando buscamos e conquistando o Selo Suíno Paulista?
Segundo os palestrantes europeus, o agrupamento dos produtores e transformadores, através da Projeção da Propriedade Intelectual está resultando na proteção dos produtores que estão a anos em suas localidades de origem, determinando o sistema de Identificador Geográfico (IG) e o Identificador de Origem (IO).
Reflexão pessoal novamente: O Selo Suíno Paulista em conjunto com a criação do Consórcio “Suíno Paulista” não é o caminho a ser trilhado.
Na experiência apresentada por eles, fica evidente que os processos acima descritos, estão fazendo toda a diferença e apresentou várias modalidades de produtos, entre eles o histórico Vinho do Porto, conhecido internacionalmente, com preços satisfatórios a todos.
Ainda foi destacada a existência de três sistemas de Identificador Geográfico, classificados em: Local, Europeu e Em Nível Mundial.
Na França, o processo teve como inicio em seu funcionamento a criação do Instituto Nacional para reconhecer e acompanhar os Projetos. Hoje a Instituição possui 250 funcionários em todo o território com 26 escritórios regionais.
Para as condições de sua criação foi respeitado que a decisão é do produtor através do agrupamento, após, é elaborado um dossiê/documento criando as normas específicas do produto e sua caracterização. Em seguida, chama-se o Governo e juntos definem o Produto IG, conforme anseio dos produtores.
O papel do Estado/Governo é de reconhecer e ajudar no controle para preservar a disciplina coletiva. Os organismos envolvidos são financiados pelo Sistema Coletivo, e o controle do processo do produto, conforme regras estipuladas pelo dossiê/documento, garantindo a origem e um melhor gerenciamento territorial.
E por fim, concluindo: será que a recente criação do INSTITUTO NACIONAL DA CARNE SUÍNA, pelo colega Wolmir de Souza, amparado pela Universidade Catarinense, dentro do Centro de Inovação Tecnológica, não é o caminho certo?
Segundo o palestrante da Espanha, as repercussões econômicas das atividades desenvolvidas por eles destacam:
- Potencial aumento no valor agregado;
- Diversificação da produção;
- Negócios na zona rural;
- Fomento do material genético;
- Valorização, conservação e preservação do rico patrimônio gastronômico e cultural da Espanha;
- Potencial satisfação das demandas de consumidores
Percebe-se na condição trabalhada um aumento no custo de produção, exigindo a necessidade de sustentabilidade econômica, através de ações pontuais:
- Defesa da Denominação;
- Adequação da oferta e demanda;
- Supervisão rigorosa dos alimentos;
- Defesa comum do modelo.
No segmento de carnes frescas, estão envolvidos na Espanha mais de 600 mil cabeças/produção; 252 indústrias num total de 36.000 volumes comercializados, representando 18,36% no Programa IGP/DOP.
Como último exemplo a comercialização de queijos representa 15,39%, correspondendo uma comercialização interna de 17.653 toneladas.
Em resumo, acredito honestamente, que criamos e estamos criando os mecanismos necessários para atingirmos a possibilidade de iniciarmos a agregação de valores em nosso produto (suíno). A criação do Selo Suíno Paulista, os esforços para elaborarmos o Consórcio Paulista, em conjunto com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através do DENACOOP, com base em Políticas Públicas do Governo Federal e Estadual, e por fim, a criação de direito do Instituto Nacional da Carne Suína em Santa Catarina, deverão nortear os avanços e conquistas da Cadeia Produtiva do Segmento Suinicola.
Cabe aos membros desse segmento, agrupar e colaborar com os desafios impostos pelo mundo moderno, sem perder, as características culturais e econômicas de sua população.
São Paulo está no maior centro consumidor da América Latina, somos hoje um estado heterogêneo, nos vários aspectos quem define um identificador de desenvolvimento, é aqui, que as “coisas” acontecem e multiplicam, estamos no centro do eixo, cabe a nós termos a intelectualidade para mover as barreiras e construirmos um desenvolvimento sustentável da Suinocultura.




